Impactos da Pandemia na Saúde Mental de Professores e Professoras

Desafios encontrados pelos/as professores/as

O distanciamento social afetou todas as pessoas, de diferentes formas, mas no caso de professores e professoras as vivências acumularam desafios específicos, como:
  • Necessidade de adaptar seu material e didática ao ensino à distância, situação a que muitos não estavam familiarizados;
  • Transformação da casa em sala de aula;
  • Dificuldade em se desligar do trabalho;
  • Ausência de finais de semana, e todos os dias parecendo segunda-feira;
  • Sensação de “muita coisa para lidar ao mesmo tempo”, por não existir mais uma delimitação física entre trabalho e vida pessoal;
  • Necessidade de conciliar o trabalho com o cuidado de suas próprias crianças e adolescentes, que também ficaram sem acesso à escola; – A evidência da precariedade de vida de muitos alunos.

Sentimentos gerados

Emoções como tristeza, solidão, angústia, raiva, ansiedade e frustração têm sido comuns. Cabe lembrar que essas reações são adequadas ao contexto da pandemia, mas se estiverem alcançando níveis muito altos e difíceis de controlar, atrapalhando a realização do trabalho, os cuidados com a casa, o tempo para a família e o tempo pessoal, não hesite em procurar ajuda na rede de atenção à saúde.

A importância do apoio

Os professores e as professoras, em conjunto com a direção das escolas, têm se mobilizado, de maneira inovadora e ágil, para facilitar o ensino à distância de qualidade para seus estudantes frente às medidas de distanciamento social impostas, com ou sem o uso de tecnologias digitais.
Além dos conteúdos didáticos e pedagógicos, estão desempenhando um papel fundamental na prevenção do alastramento do vírus, garantindo o acesso às informações corretas, mantendo a segurança de todo(a)s. Isso tem exigido a busca constante por conhecimento sobre o novo coronavírus, o que pode causar uma avalanche de informações e também uma sobrecarga de angústia.
Por isso, é fundamental que professores e professoras possam receber apoio socioemocional de modo a aliviar suas demandas, para, então, proporcionar aprendizagem neste momento de crise, bem como para se sentirem fortalecidos para auxiliarem seus estudantes em situações de ansiedade.

Para não esquecer:

  1. O papel do professor e da professora diante de uma situação trazida pelo/a estudante é de acolhimento, ou seja, escutar o que ele/ela têm a dizer, e buscar o recurso adequado para seu acompanhamento.
  2. Só é possível executar bem seu trabalho se estiver com a saúde mental equilibrada. Por isso, ao se sentir sobrecarregado/a, procure ajuda.

 

 

 

 

Impactos da Pandemia na Saúde Mental de Crianças, Adolescentes e Jovens

1. Contexto individual

1 .1 Solidão

A solidão gerada pela necessidade de distanciamento físico é considerada um fator de risco para crianças, adolescentes e jovens. A interação afetiva e social entre os pares é importante para o desenvolvimento cognitivo, para a construção do autoconceito e para a saúde mental e bem-estar geral. Assim, é importante estimular os/as estudantes a manterem contato regular com a família e amigos por meio de chamadas de vídeo, além de praticarem exercícios físicos regulares.

1 .2 Preocupações com a escola e o futuro
As preocupações e inquietações emocionais variam com a faixa etária. Em todas as idades, há o sofrimento pelos danos à educação e pela impossibilidade de ir à escola; estudantes da educação infantil são prejudicados pela interrupção da socialização; para os/as estudantes do ensino fundamental o maior prejuízo recai na falta de convívio com os colegas e professores; estudantes do ensino médio sofrem pressões acadêmicas e a expectativa pelo encerramento do ciclo escolar, enquanto os adultos jovens têm preocupações com a entrada ou manutenção no mundo do trabalho e incertezas sobre o futuro em geral.

Para os estudantes responsáveis pelo cuidado de algum ente da família, o aprendizado pode ficar prejudicado em decorrência do aumento das responsabilidades e estresses associados.
Da mesma forma, para adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas, a falta de contato com os familiares, o tédio, o fato de não poderem ir à escola, as preocupações financeiras e a incerteza geral sobre o futuro são fatores de impacto sobre a saúde mental e o bem-estar.

2. Contexto social/interpessoal/familiar

2 .1 Grupos mais afetados pela pandemia

Comunidades pobres, pessoas com deficiência, população negra e outras minorias étnicas, pessoas que vivem em situação de rua, vítimas de violência, pessoas idosas e equipes de saúde e de atendimento na linha de frente são os grupos populacionais que sofreram com maior intensidade os impactos das medidas de distanciamento social. Destaca-se, também, o aumento da violência doméstica e o impacto desse evento na saúde mental de todos os que a vivenciam. É importante que professores/ as estejam atentos a estudantes que possam estar vivendo situações violentas.

2 .2 Preocupações dos pais com a segurança financeira, vida doméstica e o futuro
Pesquisas realizadas durante a pandemia sugerem que, em geral, muitos adultos estão ansiosos e preocupados com o futuro, principalmente quem está desempregado. Para os pais que trabalham, as dificuldades se concentram em conciliar as necessidades dos/as filhos/as com as demandas do trabalho.
Além disso, os pais de crianças, adolescentes e jovens com necessidades educativas especiais ou transtornos do desenvolvimento podem experimentar níveis mais elevados de estresse e precisam de mais apoio para lidar com as mudanças de comportamento de seus filhos/as.

3 Contexto escolar

3 .1 Ensino não presencial – mediado ou não por tecnologias da informação e comunicação

A pandemia provocou uma mudança na prática pedagógica da Educação Básica, fazendo com que o ensino não presencial fosse o meio para a continuidade do vínculo escolar, com mediação ou não de tecnologias da informação e comunicação. Assim, os sistemas de ensino, as redes e instituições buscaram estratégias distintas para manter o processo educativo, a escolarização obrigatória, de acordo com suas realidades e possibilidades.

Essa mudança, somada à vulnerabilidade socioeconômica e à falta de ferramentas digitais de acesso universal, terão diferentes impactos no desenvolvimento e na saúde mental dos/as estudantes no retorno à escola. Além disso, muitas crianças, adolescentes e jovens, que dependem da merenda escolar, podem ter sofrido com a falta das refeições.

3 .2 Respostas da escola
A escola se constitui como uma das principais instituições de apoio aos estudantes, famílias e comunidades e o contexto da pandemia demonstra a importância do seu papel na resposta a crises como a da COVID-19.
Com a reabertura física das escolas, é necessário o resgate e fortalecimento dos laços de confiança, por meio de comunicações e atividades que envolvam toda a comunidade escolar, buscando minimizar os desafios do retorno às aulas, seja no modo presencial ou no sistema híbrido.

 

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